O medo é um inimigo cruel. A gente aceita qualquer coisa para sentir-se seguro. Assim se faz a guerra
cria-se o medo do inimigo e a possibilidade de atacá-lo antes de ser antingido.
Ser diferente é se confrontar com a pergunta? Por que vocë quer ser diferente?
Todo mundo faz cesárea
Todo mundo dá mamadeira
Todo mundo dá chupeta
Todo mundo toma remédio
Todo mundo toma vacina
Todo mundo assiste TV
Todo mundo acredita que palavra de médico é lei
Todo mundo tem medo de viver
Todo mundo acha que pode viver sem Deus
Todo mundo acha que dinheiro é mais importante que espiritualidade
Todo mundo busca uma felicidade externa
Todo mundo treina os filhos para serem os melhores
Todo mundo sobrevive
Eu aprendi que só faz sentido VIVER. Eu caminhei muito para saber que todo mundo está dormindo. Quem é você para achar que está certa?!, grita todo mundo. Eu só saio bailando sem me esconder sendo considerada como louca por aqueles que não podem ouvir a Música.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
Tempo
O que é o tempo senão uma mera invenção humana para justificar a sucessão de acontecimentos? O tempo se mede pelos sorrisos, choros, ventos no cabelos, dores e pérolas que tecemos. Não importa se plantamos ou não uma árvore, se o livro nunca saiu da cabeça e o filho não foi gerado no ventre. O tempo vale por nossa capacidade de entregar-se a cada momento, com o conhecimento que só a maturidade vai nos dar e que o poeta cantou há tempos: o tempo não pára. Viver é agora, neste instante. É aprender com as mediocridades, rir dos egos inflados que explodem nos espinhos do tempo.
Se a gente corre atrás dele, tentando ser um pouco de cada coisa que o mundo e nós mesmos implantamos, nunca teremos tempo. Estaremos sempre atrasados, fora de lugar, procurando estar onde não se está. Falar de tempo é falar de escolhas. Caminhos que só fazem sentido no tempo presente porque nada mais existe. Não existe o filho que não teve, a árvore que não se plantou, o amor que se foi. Não faz sentido pelas leis da física chorar a partida de alguém porque esta pessoa continua vivendo dentro do tempo que cada pessoa tornou-a essencial.
E se eu ganhar uma bacia de jabuticabas, paro tudo e saboreio uma a uma, começando pela mais graúda de casca fina, que vai explodir e derramar seu néctar na minha boca. Outro dia Miguel chegou e me pediu: vem ver as nuvens comigo? Deitamos na grama, às 5hrs de uma tarde eterna, de mãos dadas. Se eu morrer com a bacia no colo, não importa. Estarei também saboreando com cada parte do meu corpo e alma aquela graúda e doce fruta que os homens chamaram de morte.
Se a gente corre atrás dele, tentando ser um pouco de cada coisa que o mundo e nós mesmos implantamos, nunca teremos tempo. Estaremos sempre atrasados, fora de lugar, procurando estar onde não se está. Falar de tempo é falar de escolhas. Caminhos que só fazem sentido no tempo presente porque nada mais existe. Não existe o filho que não teve, a árvore que não se plantou, o amor que se foi. Não faz sentido pelas leis da física chorar a partida de alguém porque esta pessoa continua vivendo dentro do tempo que cada pessoa tornou-a essencial.
E se eu ganhar uma bacia de jabuticabas, paro tudo e saboreio uma a uma, começando pela mais graúda de casca fina, que vai explodir e derramar seu néctar na minha boca. Outro dia Miguel chegou e me pediu: vem ver as nuvens comigo? Deitamos na grama, às 5hrs de uma tarde eterna, de mãos dadas. Se eu morrer com a bacia no colo, não importa. Estarei também saboreando com cada parte do meu corpo e alma aquela graúda e doce fruta que os homens chamaram de morte.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Hoje é o dia de lembrar que todo dia é nosso
Somos mulheres: sentimos as ondas hormonais que passamos durante nossos períodos. O ápice da fertilidade, o acolhimento da menstruação. E na gestação o corpo a se transformar em cada fase. O parto que traz a dor prazerosa, a ardência apaixonante. Ser mulher, feminina e lunar.
Está na hora de abraçar novamente esta força que faz o mundo mais colorido, de reconstruir o novo feminino, sem as armadilhas do feminismo. Chegou a pílula, a falsa liberdade sexual. A menstruação passou a ser um empecilho para os objetivos. O corpo foi privado de seu pleno funcionamento. Sem conhecer seu corpo, a mulher valorizou o homem que é capaz de lhe dar prazer sem saber que o prazer é reflexivo: você mesma tem a capacidade de senti-lo. A mulher deixou de ver-se como parte da natureza, sendo ela mesma a deusa. Abraçou um Deus patriarcal que a oprime.
Quantas vezes não nos sentimos perdidas, com nossos corpos e nossa função no mundo? Nasceu a síndrome do pânico. A alma que chora. A mulher desacreditou em si. O “doutô” faz seu parto sem dor. Ela nasce confusa como mãe. Amamenta por pouco tempo, quando amamenta, para que os filhos aprendam a ser desde cedo auto-suficientes. Os bebês se consolam sozinhos, na enorme cama escura. As mulheres comemoram os filhos, que desde de cedo dormem sem colo, comem sozinhos, andam tão rápido. Talvez para fugir? Quem sabe?
De nós foi tirado o direito de parir da maneira mais orgânica: de cócoras. Foi lá no iluminismo francês quando a Rainha Vitória foi deitada para que o rei assistisse a seu parto. Logo depois as mulheres começaram a precisar de anestésicos e os irmãos de sobrenome fórceps fizeram história com seu aparelho de extrair bebês.
Deitamos com as entranhas limpas, os pelos raspados para que um homem fizesse nosso parto de maneira mais higiênica e visível. Para facilitar a saída do bebê fomos mutiladas em nosso órgão mais sensível. Perdemos a conexão com a Terra, com sua gravidade e a força dos nossos pés plantados no chão. Desconectamos com Deus quando nossas cabeças se deitaram em uma postura de passividade. Historicamente perdemos o sagrado direiro de parir.
E as feministas nas ruas na década de 60, pregaram a nossa liberdade sexual e direitos iguais que nos fizeram iguais aos homens em seus defeitos. Fomos para o mercado de trabalho e com a pílula perdemos a conexão com nossos ciclos naturais e toda a intuição que nos dava poderes especiais. Nossos filhos foram para escolas e começamos a padecer do mal da TPM, da menopausa precoce, da vida desconectada da grande mãe Gaia.
Nós mulheres, as grandes responsáveis pela mudança de cultura, ensinamos nossos filhos a serem precocemente independentes. Não fomos abraçados pelas entranhas de nossas mães, não vencemos nossa primeira batalha e fomos separados do colo materno em nosso primeiro choro solitário e frio, calado às vezes por um bico artificial.
Nosso peito e presença foram trocados por similares de borracha e silicone, gerando mais lixo para nossa mãe Terra. O perfeito alimento de nossas mamas, abandonado por um pó artificial de outro animal, enriquecido com mil vitaminas e desprovido de amor.
Os panos que prendíamos nossos filhos junto do corpo trocados por carrinhos que viram o olhar da criança para longe de suas mães, o universo mais lindo que precisam olhar. E as histórias contadas por aquela melodiosa voz conhecida trocada por um aparelho que coloca imagens prontas e histórias com vozes esganiçadas e frenéticas. Trocamos nossas presenças por presentes.
Aquela deliciosa comida substituída por papas processadas e esquentadas em um aparelho que gera ondas altamente maléficas. Nossos filhos não conhecem vacas, galinhas, macacos, que não sejam em zoológico ou documentários e poucos sabem os nomes das frutas naturais e que não nascem em caixinhas.
O que proponho hoje é resgatar este feminismo oprimido, a consciência de nossa responsabilidade enquanto mães de estar presentes, de participar da educação e oferecer um desenvolvimento mais natural e harmônico. Resgatamos a união com Terra e Céus na hora do parto, a ecologia da dança sagrada dos hormônios sem intervir com forças externas, de permitir que nossos filhos não fiquem com a lacuna do não acalanto de seu primeiro choro e não sofram as terríveis invasões de seus corpos pequenos e indefesos.
Somos loucas questionadoras em um mundo de gente que segue a corrente mecanicista. Resgatamos nosso adjetivo mais belo: mamíferas!
Somos bruxas, malucas que parimos em casa e dizem que fazemos ritual para comer placenta. Somos lindas com nossos corpos e peitos, sempre amostra. Fazemos a verdadeira revolução feminista. Plantamos a cooperação e o amor. Lá para frente, talvez em outra dimensão ou lugar, poderemos ver surgir os frutos da paz.
A estas mulheres, que se lembrem que hoje é o dia de lembrar que todo dia é nosso.
Está na hora de abraçar novamente esta força que faz o mundo mais colorido, de reconstruir o novo feminino, sem as armadilhas do feminismo. Chegou a pílula, a falsa liberdade sexual. A menstruação passou a ser um empecilho para os objetivos. O corpo foi privado de seu pleno funcionamento. Sem conhecer seu corpo, a mulher valorizou o homem que é capaz de lhe dar prazer sem saber que o prazer é reflexivo: você mesma tem a capacidade de senti-lo. A mulher deixou de ver-se como parte da natureza, sendo ela mesma a deusa. Abraçou um Deus patriarcal que a oprime.
Quantas vezes não nos sentimos perdidas, com nossos corpos e nossa função no mundo? Nasceu a síndrome do pânico. A alma que chora. A mulher desacreditou em si. O “doutô” faz seu parto sem dor. Ela nasce confusa como mãe. Amamenta por pouco tempo, quando amamenta, para que os filhos aprendam a ser desde cedo auto-suficientes. Os bebês se consolam sozinhos, na enorme cama escura. As mulheres comemoram os filhos, que desde de cedo dormem sem colo, comem sozinhos, andam tão rápido. Talvez para fugir? Quem sabe?
De nós foi tirado o direito de parir da maneira mais orgânica: de cócoras. Foi lá no iluminismo francês quando a Rainha Vitória foi deitada para que o rei assistisse a seu parto. Logo depois as mulheres começaram a precisar de anestésicos e os irmãos de sobrenome fórceps fizeram história com seu aparelho de extrair bebês.
Deitamos com as entranhas limpas, os pelos raspados para que um homem fizesse nosso parto de maneira mais higiênica e visível. Para facilitar a saída do bebê fomos mutiladas em nosso órgão mais sensível. Perdemos a conexão com a Terra, com sua gravidade e a força dos nossos pés plantados no chão. Desconectamos com Deus quando nossas cabeças se deitaram em uma postura de passividade. Historicamente perdemos o sagrado direiro de parir.
E as feministas nas ruas na década de 60, pregaram a nossa liberdade sexual e direitos iguais que nos fizeram iguais aos homens em seus defeitos. Fomos para o mercado de trabalho e com a pílula perdemos a conexão com nossos ciclos naturais e toda a intuição que nos dava poderes especiais. Nossos filhos foram para escolas e começamos a padecer do mal da TPM, da menopausa precoce, da vida desconectada da grande mãe Gaia.
Nós mulheres, as grandes responsáveis pela mudança de cultura, ensinamos nossos filhos a serem precocemente independentes. Não fomos abraçados pelas entranhas de nossas mães, não vencemos nossa primeira batalha e fomos separados do colo materno em nosso primeiro choro solitário e frio, calado às vezes por um bico artificial.
Nosso peito e presença foram trocados por similares de borracha e silicone, gerando mais lixo para nossa mãe Terra. O perfeito alimento de nossas mamas, abandonado por um pó artificial de outro animal, enriquecido com mil vitaminas e desprovido de amor.
Os panos que prendíamos nossos filhos junto do corpo trocados por carrinhos que viram o olhar da criança para longe de suas mães, o universo mais lindo que precisam olhar. E as histórias contadas por aquela melodiosa voz conhecida trocada por um aparelho que coloca imagens prontas e histórias com vozes esganiçadas e frenéticas. Trocamos nossas presenças por presentes.
Aquela deliciosa comida substituída por papas processadas e esquentadas em um aparelho que gera ondas altamente maléficas. Nossos filhos não conhecem vacas, galinhas, macacos, que não sejam em zoológico ou documentários e poucos sabem os nomes das frutas naturais e que não nascem em caixinhas.
O que proponho hoje é resgatar este feminismo oprimido, a consciência de nossa responsabilidade enquanto mães de estar presentes, de participar da educação e oferecer um desenvolvimento mais natural e harmônico. Resgatamos a união com Terra e Céus na hora do parto, a ecologia da dança sagrada dos hormônios sem intervir com forças externas, de permitir que nossos filhos não fiquem com a lacuna do não acalanto de seu primeiro choro e não sofram as terríveis invasões de seus corpos pequenos e indefesos.
Somos loucas questionadoras em um mundo de gente que segue a corrente mecanicista. Resgatamos nosso adjetivo mais belo: mamíferas!
Somos bruxas, malucas que parimos em casa e dizem que fazemos ritual para comer placenta. Somos lindas com nossos corpos e peitos, sempre amostra. Fazemos a verdadeira revolução feminista. Plantamos a cooperação e o amor. Lá para frente, talvez em outra dimensão ou lugar, poderemos ver surgir os frutos da paz.
A estas mulheres, que se lembrem que hoje é o dia de lembrar que todo dia é nosso.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Almas Companheiras
O relacionamento entre homens e mulher foi feito para dar errado. Em relação aos nossos pais passamos parte da vida adorando-os, outra destruindo parte deles de dentro de nós para construirmos nossa própria personalidade e um tempo de resgate. Com nossos filhos vivemos o processo inverso. Com amigos, ficamos no mesmo vagão enquanto a vida caminha para o mesmo destino depois alguns permanecem, outros se vão.
Mas com uma alma companheira é tudo muito intenso: por haver desejo há muita expectativa. Por haver expectativa há decepção e a constante decepção deixa o coração com uma casca. A gente passa a não sofrer mais com as brigas, mas não sente mais no coração aquela pulsação que nos fazia lembrar que estamos vivos.
E sempre alguém de fora vem nos mostrar o muro que construirmos. Destruir o muro só se faz com conversa, as vezes impulsionada por um surto. Um anjo de fora nos mostra que o coração ainda bate, nos lembra da pulsação da vida e a gente redescobre aquele outro do nosso lado, que a tanto nos ensina, com a dor, decepção e amor.
É um ciclo que se fecha dentro da relação, para seguir para uma nova fase, talvez sem tanta expectativa, talvez sem a mesma pulsação neurótica, mas sempre com amor. Eu fico feliz por ter chegado em mais um vale, por ter chegado no topo da montanha e desejado subir uma ainda mais alta.
Viver é transcender-se. E isso dó muito, mas é a única possibilidade de fazer de nossas asas aptas para o vôo.
Mas com uma alma companheira é tudo muito intenso: por haver desejo há muita expectativa. Por haver expectativa há decepção e a constante decepção deixa o coração com uma casca. A gente passa a não sofrer mais com as brigas, mas não sente mais no coração aquela pulsação que nos fazia lembrar que estamos vivos.
E sempre alguém de fora vem nos mostrar o muro que construirmos. Destruir o muro só se faz com conversa, as vezes impulsionada por um surto. Um anjo de fora nos mostra que o coração ainda bate, nos lembra da pulsação da vida e a gente redescobre aquele outro do nosso lado, que a tanto nos ensina, com a dor, decepção e amor.
É um ciclo que se fecha dentro da relação, para seguir para uma nova fase, talvez sem tanta expectativa, talvez sem a mesma pulsação neurótica, mas sempre com amor. Eu fico feliz por ter chegado em mais um vale, por ter chegado no topo da montanha e desejado subir uma ainda mais alta.
Viver é transcender-se. E isso dó muito, mas é a única possibilidade de fazer de nossas asas aptas para o vôo.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Ai esta falta de ética
Foto: Kalu Brum
É verdade. Não existe essa balela de ética pessoal e profissional. Se uma pessoa é capaz de usar um texto seu sem dar os devidos créditos, se promete algo, sai pela tangente, prefere brigar a resolver, não paga e se faz de rogada, não tem ética e acabou. E agirá assim com mais e mais pessoas, até que sua vida se torne um mar de cacas.
O melhor a fazer é agradecer e deixar o vento levar o fedor. Porque uma hora a merda vai voar. Eu acredito na lei do retorno: se você fez algo aquilo retornará a você. Neste caso também estou aprendendo algo com a falta de ética a qual fui envolvida. Talvez a garnde lição que amigos, amigos, negócios tudo registrado e assinado. Como diz meu Guru da praticidade ou atual maridö: o combinado não sai caro.
E é mais barato conhecer a merda que se está pisando, quando ainda está na sola do sapato, antes de mergulhar de cabeça. Aí é só sair fora, com uma dor no coração e muita gratidão por saber que as coisas vão e voltam com força dobrada.
Financeiramente já me recuperei do prejuízo. Psicologicamente também. Sigo minha vida servindo ao mundo, as vezes sem rumo de tomar tamancadas dos lugares inesperados, mais forte, sem dúvida.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Sobre o caso Uniban
Foto: Kalu BrumEu vivo em uma bolha envolta de mantras e energizações, alheia desta sociedade doente. Não tinha visto nada sobre o caso da menina que foi chamada de "puta" em uma manifestação coletiva de alunos da Faculdade UNIBAN de São Paulo. Só fiquei sabendo porque alguém colocou no Mamíferas. O caso não me choca, não me irrita. Ele só reflete a equação violência e sexualidade superestimulados em toda parte e precocemente.
Outro dia estava no mercado e uma menina de seus 9 anos, estava com a mãe, com um shorts muito curto que o Miguel comentou: ela veio de calcinha? A menina rebolava de um lado para o outro em uma sexualidade precoce. A mãe achava aquilo normal, a filha também. então o que fazer?
Perdemos os valores de respeitopor nosso próprio corpo, contra o corpo dos outros. Cada dia mais as saias estão mais curtas, assim como é mais curto o caminho até um desconhecido tocar seu corpo. Beija-se sem amor, apenas pelo gosto do tesão. Transa-se como se fosse a coisa mais simples do mundo, sem o menor vínculo e conexão. Não vejo nada de errado com isso, só que está distante do meu universo.
Não estou aqui defendendo que ninguém case virgem, nem que "amarre micharia", como diz por aqui em Minas Gerais só porque os outros vão falar. Mas no meu mundo, valorizar um beijo, como parte de um gesto de amor, transar com quem se sente mais do que mero tesão, são atitudes de sabedoria, que evitam, em nível energético, que entremos em contato com o pior do outro. Afinal, no beijo, no sexo, mais do que fluídos corpóreos são trocados. Uma intensa troca energética é estabelecida.
Da mesma forma como valorizar o corpo com roupas bonitas, até sensuais, porque não, mas atento a vulgaridade. O vulgar é feio, choca, faz aflorar a parte mais selvagem.
É muito diferente de dizer que uma mãe que amamenta um filho provoca sensualidade. Isso sim é doença. A finalidade do amamentar é muito diferente de quem usa um micro vestido. O fato é que o caso ilustra mais uma vez um retrato de uma sociedade doente. Meninas que vão para uma Universidade com a intenção de mostrar seus atributos físicos; pessoas que reagem agressivamente de forma coletiva a presença de algo diferente. A imprensa que transforma isso em notícia.
Uma vez li um artigo interessante falando das drogas e sua relação com os momentos históricos: o ópio como forma de libertar o pensamento aprisionado; a maconha como busca da paz e amor em uma sociedade em guerra fria; a cocaína para expressar a revolta contra um sistema. Hoje é a vez do êxtase, a droga do amor, que faz os sentidos se aguçarem.
Vivemos uma total e completa falta de amor, por nós, por algo maior, pelo outro, por todas as coisas viventes e sentintes. Uma sociedade sem amor de mãe/pai, sem afeto na escola, de relacionamentos mediados por uma tela de computador. Onde não há amor, não há respeito. Onde não há respeito, há barbárie. Não há culpados é só um retrato de uma sociedade doente.
Eu busco a cura, em mim e ao meu redor. Não assisto TV, procuro não me conectar com aquilo que me distrai do meu objetivo. Medito diariamente (por mim, pelo meu filho, pelo planeta) e isso me faz uma pessoa melhor, mais pacífica e capaz de fazer escolhas mais sábias. Procuro comer aquilo que agride menos ao ambiente. Crio meu filho com amor e valores espirituais e acima de tudo, procuro ser o espelho que desejo para o mundo. Planto minha smente em mim e no futuro que vou deixar para o planeta e ensino principalmente que o essencial é invisível aos olhos e só se vê be com um coração amoroso.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Cantares

Foto: Kalu Brum
Hoje Bailo na indicação de um amigo que me trouxe um poema de Antonio Machado que revela minha essência: eu amo os mundos sutis/leves e gentis,como bolhas de sabão
Tudo passa e tudo fica
porém o nosso é passar,
passar fazendo caminhos
caminhos sobre o mar
Nunca persegui a glória
nem deixar na memória
dos homens minha canção
eu amo os mundos sutis
leves e gentis,como bolhas de sabão
Gosto de ver-los pintar-se
de sol e graná
voar baixo o céu azul, tremer
subitamente e quebrar-se...
Nunca persegui a glória
Caminhante, são tuas pegadas
Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar
Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar
Caminhante não há caminhos
senão há marcas no mar...
Faz algum tempo neste lugar
onde hoje os bosques se vestem de espinhos
se ouviu a voz de um poeta gritar
"Caminhante não há caminho,se faz caminho ao andar"...
Golpe a golpe, verso a verso...
Morreu o poeta longe do lar
cobre-lhe o pó de um país vizinho.
Ao afastar-se lhe vieram chorar
"Caminhante não há caminho,se faz caminho ao andar..."
Golpe a golpe, verso a verso...
Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
"Caminhante não há caminho,se faz caminho ao andar..."
Golpe a golpe, verso a verso.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
O Fim de uma Amizade

Foto: Kalu Brum
Não importa se o deixei o dia todo sozinho ou se passei dias sem lhe fazer carinhos. Ele sempre está lá a me esperar, abanando o rabinho e buscando chamar atenção para receber carinho. Não liga se a ração que eu compro custa 30 ou 100 reais. Ele quer minha presença e atenção.
Na minha janela apareceu um passarinho. Logo depois um ninho. Quanto esforço do casal para construir um lar seguro para seus filhotes. Movidos pelo instinto, o que eles fazem é seguir a força da natureza.
E nós que brincamos de deuses, que decidimos quando uma criança deve nascer e prolongamos a vida até quando não é possível, nos sentimos sós. Amizades que acabam por brigas bobas embostalhadas pela merda que move o mundo. Bosta essa que faz pagar as contas da casa e a escola alternativa do meu filho.
A comunicação por assovios e latidos parece ser mais eficiente do que milhões de palavras para explicar o que não vai ser compreendido, porque do outro lado tem uma porta cheia de feridas que só quer jogar suas frustrações para o primeiro lixeiro desavisado.
Eu fui dotada do dom do esquecimento e acabo me lembrando apenas das coisas boas. E na minha dor, fico com o gosto amargo e uma dor de estômago que me mostram que por mais que a gente queira deixar para lá, é impossível, infelizmente eu não sou bicho. Ou sou?
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Surdos Marchadores

Foto: Kalu Brum
Nunca, em tempo algum, meus passos deixaram de incomodar os ignorantes. Já fui como eles que valorizavam as coisas do mundo em detrimento a força do instinto e do coração. E por tempos achei que calada conseguiria caminhar escondida carregando uma melancia de ideologias distintas na minha cabeça. Mas não consegui. Por mais que adore o bailar, minha paixão faz gritar para acordar as almas ignorantes.
Como podem achar normal cortar a barriga para nascer? Não amametnar? Receber uma vida em um ambinete inóspito e sem questionar se as multilações dos corpos de mãe e bebê são necessárias? Como podem querer beijar o bebe só depois de limpo, ter nojo de suas próprias entranhas? Eu não consigo achar normal que desrespeitem a criança dando-lhe um alimento do qual seu corpo não está preparado, treinando precocemente a ler e escrever, adestrando com palmadas e biscoitos.
Há em toda sociedade um desejo perene pela independência. Casais se separam em nome desta liberdade que não existe, mães trocam peito por mamadeira para se sentirem mais livres e descontam suas frsutrações fazendo compras para se fazerem presentes através de objetos.
As crianças parecem independentes e logo mostram que dependem da televisão (com o desespero nos dias sem luz), dos brinquedos caros, do eterno consumo. Desde cedo se treina a nova alma a valorizar o que está do lado de fora e as pessoas que podem ter mais coisas.
As pessoas deixam de acreditar em seus corpos, nas forças da natureza, na divindade presente em todas as coisas. E se desconectam do real e vivem em redes sociais imaginária, colecionando seguidores.
È nestas horas me lembro do conselho da minha irmã: "É só fazer o que todo mundo faz e não pensar". Como gostaria de ser assim, como gostaria de não pensar, de seguir os passos da boiada. Mas não posso mais. Eu acordei e não consigo mais dormir, me sinto gritando mantras em um mundo de surdos, que seguem a marcha das músicas de comerciais.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Velho baú

foto: Kalu Brum
Hoje abri um velho baú e encontrei roupas apertadas, fora de moda escritas em letras redondas e papel amarelado. Sonhos que já não cabem em minha livre alma, de desejos que não mais adornam minha velha alma.
Não sei onde me perdi para me encontrar mas agora me sinto tão dentro de mim que não encontro mais lugar, para ser o que não posso ser na itegridade do meu ser.
E eu só sei ser assim, sem horários ou manuais. Sem roupa social, de unhas feitas de pé no chão, cabelo na moda voando contra o vento da tarde. Não caibo no trânsito apertado de quem corre sem saber para onde ir. Me importa mesmo o balançar na rede, as estrelas que despontam enquanto canto para você me deixar e partir para terra de onde nunca desabitou totalmente.
Não tenho mais tinta na ponta dos neurônios. Me perdoem, escrevo com as víceras abertas, com sangue vivo que corre em minhas veias a uma velocidade frenética que faz a temperatura do planeta subir e derretar as calotas polares das hipocrisias.
Eu bem que tento sair deste mundo, mas parece que o universo conspira para que possa viver aquilo que me cabe, tão embotado de mim, que me faz vaidosa de ver que construo o mundo com meus sonhos e mudo de sonhos para sonhar ainda maior e melhor.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Lá do Céu
Foto: Kalu Brum
Um dia, lá do céu, me encantei com este planeta azul. Parecia ser brilhante e alegre com seus pássaros coloridos, folhas de verdes diversos, sorrisos e bailares em fogueiras.
Fiquei lá de cima admirando o nascer, crescer, envelhecer e partir de todas as coisas e como os homens se prendem a noção errônea do tempo sempre voltados com o faróis para trás ou para frente, sem olhar a paisagem de suas belas janelas.
E foi uma risada gostosa de criança que me enfeitiçou de tal forma que aqui despenquei, sem avisos ou manuais. Com olhos de anjo sempre vi o que parece não existir, vivi coisas tão intensas e ao mesmo tempo que consegui permanecer fora de muitas delas.
Aqui embaixo olhava a estrela brilhante de cão maior e pedia para voltar. É ruim sentir-se fora de lugar, solitária, diferente tanto tempo. Viver com anjos, ver as fadas a tocar os botões e fazer a primavera. Um mundo secreto, fantástico que por vezes pareceu ilusão de menina louca. E na minha mais desesperada prece, um dia estava preenchida.
Uma alma irmã veio lá de perto para me ensinar novamente o caminho das esrelas, a encantar-me com esta pérola azul que hoje habito. E deitada na relva, olhando as nuvens, de mãos dadas, fitando seu olhos brilhantes e ouvindo seu riso fácil, eu me lembrei do que me encantou. E em prece agradeci por aqui aterrizar e sem perceber estava, com suas asas, oltando para casa. Em 2012 a gente chega.
sábado, 19 de setembro de 2009
Caminhos e Escolhas

"Eu não sou da sua rua,
eu não sou o seu vizinho.
eu moro muito longe..."
Pessoas caminham ensimesmadas. No carro, vidros fechados e escuros para que a realidade de fora não os olhem. Sentadas solitariamente, deixam namorados, amigos e famílias para se sentirem parte de um mundo globalizado em comunicações medadas por máquinas que distraem e tiram o foco do essnecial.
Enquanto são ordinárias em suas vidas diárias, escrevem coisas fantásticas em blogs, twitter, tem milhões de seguidores, falam, falam e não ouvem .Brodecasters de um mundo superficial.
Não é o meio que faz as coisas, mas como usamos os meios. O fato é, que cada dia, mais e mais pessoas acham que precisam estar em todos os lugares para serem alguém e se esquecem que é só em contato com o coração, com a fonte mais pura, é que realmente conseguimos conhecer o mundo real.
Quando desligamos nossas mentes e sentidos daquilo que nos distrai, podemos ouvir os ruídos de nossa mente a prender a fazer música. Não vejo sentido em ter um cachorro, pagar um pet shop para dar banho nele e uma pessoa para caminhar ao lado de seu amigo animal, enquanto você se distraí na vã ilusão que se está transformando o mundo mediado por tecnologia.
Eu muitas vezes me perco em tantas coisas: milhões de e-mails, comunidades, orkut, twitter. Mas agora tenho me obrigado a caminhar pela manhã com meu cão, na mata linda que me cerca, correr para fazer o corpo suar e depois tomar uma ducha no quintal. Usar da tecnologia, mas dormir cedo para descansar a alma, meditar para equilibrar e contatar meu ser, cantar para agradecer, fazer yoga para colocar a energia vital a disposição do corpo.
Há muitas formas de nos distrair, poucos caminhos que nos ensinam a ver a felicidade aqui e agora, como canta Gil e muitos labirintos sem saída que nos fazem acreditar que a felicidade está sempre ali, onde não se vê.
Eu escolhi meu caminho: desliguei a televisão, abri as antenas do além, os olhos dos anjos e uma vida que faz da existência uma verdadeira oportunidade de transformação. Qual é o seu?
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Brincar de Viver

Hoje eu queria deixar os compormissos de lado, os milhões de textos, idéias, argumentos para ser somente criança. Correr de braços abertos e voar dentro de mim, rir aquela risada gostosa de ver uma bolhinha de sabão explodir, rolar a montanha e coçar as costas por causa da grama.
Eu trocaria minhas ideologias mais profundas para simplesmente observar o formato da pipoca, das nuvens do céu. Eu prefiro brigar pelo pedaço de chocolate maior ou quem está com mais suco no restante da garrafa do que lidar com egos e vaidades, do que simplesmente fazer girar a máquina capitalista.
A medida que a mente se fortalece, o corpo endurece com o coração. A gente sempre corre e deixa para lá o fundamental. E briga com as faltas de comunicação e se perde do gostoso de viver. A gente esquece de brincar, nem se lembra das nossas fantasias, sonhos, da liberdade que é poder ser livre.
Hoje eu liberto minha criança para brincar com você e adormecer de mãos dadas na certeza que a única coisa que tem sentido na vida é viver.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
A Iluminação
Já me senti absolutamente infeliz. Este sentimento me perseguia desde criança. A frase da Camille Claudel refletia minha obscura alma: Há sempre uma ausência que me atormenta.
Eu vivia atormentada, adorava poemas de morte, escrevia sobre a morte.
Não via sentido para minha vida pequeno burguesa. Eu não gostava dos meus pais. E todo tempo, me sentia fora de lugar. Quase todas as noites eu dormia chorando. Eu achava que precisava de um grande amor. Mas mesmo com alguém eu me sentia mais só. Eu parecia sempre feliz, mas não era.
Até o dia que comecei a meditar. Até o dia que alguém me ensinou que a vida humana era um presente e eu experimentei uma felicidade indescritível. Eu nunca fumei um baseado e posso garantir que tive as viagens mais loucas de olhos fechados.
Eu ainda me perco de mim . Mas todas as vezes que eu fecho os olhos e me concentro na minha respiração e visualizo meu coração cheio de luz, eu me transformo. Eu me sinto parte deste universo, conectada a um plano maior. Neste instante sei que minha existência de amar com profundidade pode fazer a diferença.
Eu dedico meu tempo a ajudar as pessoas e agradeço por conseguir fazer isso. E quanto mais consigo me conectar com minha natureza mais pura, como agora que eu estou absolutamente conectada com você, sem saber se está lendo o que escrevo, oferecendo o que me trouxe simplicidade o que aliviou minha dor, mais consigo transbordar. Minha dor passou, não por negá-la, mas por enfrentá-la com coragem.
Enfrentei todos meus demônios. Eu sei que me perdi para me encontrar. Só de lembrar disso não consigo conter a lágrima que cai de gratidão. E meu maior presente é saber que tenho muito tempo para me aprimorar, mas se eu morrer hoje, agora, já terá valido a pena.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Peixe Grande
renovo meus sonhos e esperanças
reaprendo a pescar peixes invisíveis
que descem do céu como orvalho da manhã
Sua luz me guia
a habitar o presente
desfruto da alegria
de seguir com a lupa
os rastros de formiga
Seu brilho me ressuscita
desfaz as amarras do tempo
ilumina a escuridão do crescer
faz flutuar o peso das responsabilidades
Sua fé me inspira
a acreditar que abrir os braços
e correr no gramado olhando para o céu
é voar
Porque não se voa com asas
ou no avião
o vôo é da imaginação
(poema de Kalu Brum)
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Aquilo que eu ainda não sei
Foto: Kalu BrumEu sei de muitas coisas daqui desta terra, de outras vidas, além dos céus e de todo entendimento. Mas sempre que uma coisa me parece certa, estabelecida e enraizada, sinto vontade de partir para buscar-me em outras que ainda não conheço.
E assim me queimo nas chamas de mim mesma e vejo cair por terra, estrela por estrela que pareciam tão fixas em suas flutuações.
E estas coisas que não conheço provocam-me um sentimento estanho de tinta colorida a pintar o jardim de minha vida. Cenas que se constroem como areias de uma duna que amanhã não estará lá.
Como agora sou tomada por um sentimento desconhecido de estar à beira do abismo e sentir vontade de pular, só para saborear o vento, sentir meu corpo se entregar na certeza que a queda poderá me causar ferimentos profundos.
Mas o momento que antecede a vontade de saltar me inebria a esquecer tudo o que construí, passo a passo, até aqui chegar.
Sou seduzida pelo cheiro do vento produzido por uma nuca que nem me lembrava mais existir, mas que de súbito apareceu, por obra do destino, a me causar um mal/bem inexplicável , daqueles que fazem a gente imaginar que somos pássaros.
Por cima da neblina densa que me impede de saber o tamanho da queda, eu acaricio as nuvens, passando cada molécula de água por todo meu corpo, deixando escorrer uma gota pelas minhas intimidades que me abre pétala por pétala.
E essa gota que me penetra, fecunda poemas esquecidos na biblioteca daquela que mantenho sob vigilância, mas que insiste por vezes em andar nua seduzindo as tropas, fazendo esquecer as guerras e convida apenas a celebrar em volta da fogueira, em uma dança profana e onírica, aquilo que eu ainda não sei.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Sinfonia Inacabada

Foto: Kalu Brum
Por quinze anos vivi espremido, ao lado de Oswald de Andrade, Clarice Lispector, Machado de Assis. Naquele dia, no início de 1997, uma mão longa, de unhas compridas e pintadas de esmalte claro, como de uma noiva, retiraram-me de lá, com grande esforço de pés equilibrados nas pontas dos dedos, apoiados em cima de uma escada de metal que fazia sons engraçados.
- É esse! Se ele é músico certamente irá gostar.
Mal sabia ela que apesar de contar a história de Villa Lobos, um grande músico brasileiro, apresentava apenas informações históricas vazias e sem poesia. Saí daquela casa pequena burguesa, com mais de 30 anos de existência, reformada inúmera vezes, mas que mantinha um piso marrom castor com flores bege de gosto bastante duvidoso.
Fui carregado perto do coração, ouvindo um compasso acelerado que certamente inspiraria o próprio Villa Lobos a criar uma composição ainda mais marcante que o próprio Guarani. Naquele momento, a mente daquelas mãos imaginava uma infinidade de possibilidades românticas capaz de deixar pasmo José de Alencar com seu Romance entre Peri e Ceci.
Era a primeira vez que aquele canário belga, criado em uma gaiola de ilusões, experimentava o vôo solitário para dentro de uma floresta desconhecida dos sentimentos intensos, confusos, imprescindíveis e contraditórios que faziam o sangue borbulhar a uma temperatura quente que chegava a causar calafrios e o estômago sentir um vazio que era capaz de fagocitar-se.
As mãos quadradas, de unhas roídas, claras e um coração com andamento mais harmônico, receberiam naquele dia, este que traz estas memórias que vão além da minha capa verde oliva.
Permaneci no banco ao lado, daquele lugar escuro, com uma tela gigantesca, a contar, com imagem e som, a história de personagens bem menos célebres que aqueles que me comprimiram por anos na prateleira.
As mãos finas, de dedos longos e unhas alvas como de noiva, foram tocadas de leve por aquela quadrada de unhas roídas, fazendo aquele coração de canário cantar em um andamento descompassado e frenético.
Foi então que permaneci escondido em uma prateleira, representando aquela sinfonia que nunca foi tocada. Como se, por obra do destino, Peri nunca tivera encontrado Ceci. Agora estava soterrado entre obras de psicologia e teorias políticas.
Aqui fui colocado, quero dizer, quase lançado com desdém, após uma conversa que fez a orquestra interromper, sem nunca começar:
- Você é um diamante bruto, disse o dono das unhas roídas. Mas eu não estou em tempo de lapidar-te. Por favor, não me procure mais.
Ele ainda não se sentia preparado para entrar no navio voador, deixar a Terra do Nunca e os meninos perdidos, para viver pressionado pelo crocodilo do tempo que avassala os romances.
Ela, por sua vez, fora lançada na cachoeira abaixo, batendo contra pedras de um caudaloso rio. Sem saber, as pedras a lapidaram esculpindo um desenho único de uma beleza bruta e delicada.
Doze anos depois, as mãos outrora com unhas roídas, hoje rentes e cortadas, com linhas da palma bem marcadas, retiraram-me dali e me folhearam como quem tenta tocar uma antiga canção nunca inventada.
- Está na hora de você ser devolvido.
Carregado debaixo dos braços, segurado com certa apreensão, vi de longe surgir aquele canto de canário.
- Isso lhe pertence.
Aquelas mãos, outrora de unhas longas e compridas, pintadas como de noiva, agora com garras de felina, de unhas vermelhas, me seguraram com força e sorriso. Mas pude escutar aquela melodia cardíaca inesquecível. Na outra mão havia um novo símbolo, um querido poeta chamado Rubem Alves, amante de Villa Lobos e outros músicos que fazem dançar a alma.
Das mãos longas e finas, Rubem passou para a mão quadrada. Por minha pouca qualidade literária, fui esquecido no banco daquela praça, depois de ouvir deliciosas risadas curativas a servirem como base melodiosa de uma nova sinfonia.
Esta história agora não posso mais contar. Quem sabe Rubem possa terminar este conto, ou quem sabe, aumentar um ponto.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Estações
Às vezes me falta ar. Sou assim de cor vermelha, passional até os fios de cabelos etéricos. Queria, simplesmente, algumas vezes, ver a vida passar e não agir com a paixão que me move. Ver uma formiga a subir na camisa de um desconhecido e simplesmente não retirá-la de lá. Mas eu não consigo.
Talvez dê importância demais para minhas conquistas e queira oferecê-las a preço baixo, esquecendo-me que elas são pérolas tecidas com os fios de cornicópia de minhas lágrimas.
Cada alma deste mundo está em um diferente estágio de consciência. E todos estão em seus lugares certos. Algumas vezes cruzamos com almas queridas em determinada estação e tão logo pegamos o próximo trem para estação mais além. Dói ver a porta fechar, sabendo que foi ele quem lhe deu o mapa para seguir adiante.
Quantas vezes não queremos voltar, mas o trem acelera rápido demais? A nova estação é estranha. Tudo é um eterno recomeçar. Rapidamente descobrimos que aqui e agora é nosso lugar. Até que chega, mais uma vez, a hora de seguir, a hora de tecer mais uma pérola, para a jóia máxima da vida.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Amor Desperto
Para quem escolhe uma vida desperta todos os dias são para celebrar o amor. Dias preenchidos de pequenas felicidades que no final traz a gostosa certeza de conhecer o sabor de estar junto.
Um sorriso na hora do almoço, um carinho inesperado no cangote. Tudo isso faz com que o amor seja real e mais importante que os pequenos obstáculos do cotidiano.
Viver um amor desperto é negar as algemas e celebrar os laços; fechar os olhos para os prazeres e cultivar a espiritualidade; é saber que mesmo diferentes queremos o mesmo: ser melhor a cada dia para experimentar constantemente o poder interior.
Que todos os dias escolha você como meu namorado. Desta forma viveremos um agora e sempre enamorados celebrando o amor em cada detalhe. O amor é este sentimento que nos faz amadurecer e se encantar, como um menino, pela a vida.
Abaixo um poema de fernando Pessoa que gosto muito. Para mim este Deus menino é o Amor.
“No céu era tudo falso, tudo em desacordo com flores e árvores e pedras. No céu tinha de estar sempre sério...
“No céu era tudo falso, tudo em desacordo com flores e árvores e pedras. No céu tinha de estar sempre sério...
Fugiu para o sol e desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso natural.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me as flores e mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as tem na mão e olha devagar para elas.
A Criança Nova que habita onde vivo
dá-me uma mão a mim e a outra a tudo que existe,
e assim vamos os três pelo caminho que houver, saltando e cantando e rindo e gozando o nosso segredo comum que é o de saber por toda a parte que não há mistério no mundo e que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todas os sons são as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas. (...)
Ele dorme dentro da minha alma e às vezes acorda de noite e brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar.
Põe uns em cima dos outros e bate palmas sozinho sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo e leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano e deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde, para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar até que nasça qualquer dia
que tu sabes qual é.“
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Olhos de Diamante

Tenho olhos de diamante
a ver os fractais de mil e uma
dimensões a bailar d'fronte a luz.
Visto o manto de estrelas
e saio a dançar por céus
de planetas distantes
com suas melodias angélicas
de uma nova frequência.
Caminho como um viajante obstinado
direcionando minha vela para o sopro divino
fazendo curvas para atingir o porto
de onde vim, para onde quero voltar
seguindo Tua voz, Teu suspiro.
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