quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A Iluminação

Foto: Kalu Brum

Já me senti absolutamente infeliz. Este sentimento me perseguia desde criança. A frase da Camille Claudel refletia minha obscura alma: Há sempre uma ausência que me atormenta.

Eu vivia atormentada, adorava poemas de morte, escrevia sobre a morte.

Não via sentido para minha vida pequeno burguesa. Eu não gostava dos meus pais. E todo tempo, me sentia fora de lugar. Quase todas as noites eu dormia chorando. Eu achava que precisava de um grande amor. Mas mesmo com alguém eu me sentia mais só. Eu parecia sempre feliz, mas não era.

Até o dia que comecei a meditar. Até o dia que alguém me ensinou que a vida humana era um presente e eu experimentei uma felicidade indescritível. Eu nunca fumei um baseado e posso garantir que tive as viagens mais loucas de olhos fechados.

Eu ainda me perco de mim . Mas todas as vezes que eu fecho os olhos e me concentro na minha respiração e visualizo meu coração cheio de luz, eu me transformo. Eu me sinto parte deste universo, conectada a um plano maior. Neste instante sei que minha existência de amar com profundidade pode fazer a diferença.

Eu dedico meu tempo a ajudar as pessoas e agradeço por conseguir fazer isso. E quanto mais consigo me conectar com minha natureza mais pura, como agora que eu estou absolutamente conectada com você, sem saber se está lendo o que escrevo, oferecendo o que me trouxe simplicidade o que aliviou minha dor, mais consigo transbordar. Minha dor passou, não por negá-la, mas por enfrentá-la com coragem.

Enfrentei todos meus demônios. Eu sei que me perdi para me encontrar. Só de lembrar disso não consigo conter a lágrima que cai de gratidão. E meu maior presente é saber que tenho muito tempo para me aprimorar, mas se eu morrer hoje, agora, já terá valido a pena.

2 comentários:

Mari Tezini disse...

nossa Kalu, que coisa linda...me emocionei e me identifiquei demais com isso tudo, obrigada por compartilhar isso assim tão intimamente, como numa conversa gostosa de pessoas que se conhecem há tempos. e assim essa sensação de estar fora de lugar (por mais paradoxal que pareça) pode conectar

lindo lindo lindo

beijo grande

Jul Priscila disse...

Oi Kalu, que presente ler este seu texto hoje, agora, neste momento. Encontrei seu blog por acaso quando estava lendo o Mamíferas. Eu não estava procurando alento agora, mas algo me trouxe a este seu texto. E eu agradeço. Porque estou tendo sentimentos muito tristes que vão e voltam e preciso vencer. Tenho um bebê lindo de quase 3 meses e a minha "não-relação" com o pai dele tem o poder de quase acabar comigo. Tenho que enfrentar isso logo porque sei que será para a vida toda né. Lindo texto. Grande beijo