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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Manto de Luz

Foto: Kalu Brum
Acordei
Estiquei minhas asas
Vesti meu manto
Teci da liberdade da luz

Voeei para dentro de mim
Aquecida pela malha cintilante
Olhei ao meu redor
E avistei flores de lótus
Beijadas por pássaros luminosos
Que desenhavam em todo planeta
Uma brilhante teia da vida

Seguindo os fios perolados
Saí do labirinto de Sansara
Me encontrei na Ley da Liberdade
Para esticar minhas asas
E voar para além de Maya
Seguindo os rastros brilhantes
fazendo-me cometa e estrela
Me tornando para hoje e sempre
Um anjo Índigo da Luz

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Cantares



Foto: Kalu Brum


Hoje Bailo na indicação de um amigo que me trouxe um poema de Antonio Machado que revela minha essência: eu amo os mundos sutis/leves e gentis,como bolhas de sabão



Tudo passa e tudo fica
porém o nosso é passar,
passar fazendo caminhos
caminhos sobre o mar

Nunca persegui a glória
nem deixar na memória
dos homens minha canção
eu amo os mundos sutis
leves e gentis,como bolhas de sabão

Gosto de ver-los pintar-se
de sol e graná
voar baixo o céu azul, tremer
subitamente e quebrar-se...
Nunca persegui a glória
Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar
Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar

Caminhante não há caminhos
senão há marcas no mar...
Faz algum tempo neste lugar
onde hoje os bosques se vestem de espinhos
se ouviu a voz de um poeta gritar
"Caminhante não há caminho,se faz caminho ao andar"...
Golpe a golpe, verso a verso...
Morreu o poeta longe do lar
cobre-lhe o pó de um país vizinho.
Ao afastar-se lhe vieram chorar
"Caminhante não há caminho,se faz caminho ao andar..."

Golpe a golpe, verso a verso...
Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
"Caminhante não há caminho,se faz caminho ao andar..."

Golpe a golpe, verso a verso.